O texto a seguir foi escrito já há algum tempo, logo depois que surgiram as primeiras denúncias da existência de um "mensalão" no Congresso Nacional, durante o primeiro governo Lula.
As denúncias de corrupção no Governo Lula, para além de seus possíveis desdobramentos políticos, tem atraído as atenções da política, da mídia e da opinião pública, e ajudam a reforçar na população um sentimento de que os governos são notoriamente incapazes de lidar com os [reais] problemas do País, e incapazes de cumprir metas e de atender os reclames básicos da população. Em relação à corrupção, certamente não se pode ignorar que ela existe desde que há política, e de que talvez faça mesmo parte do jogo político. Mas ainda que não seja razoável desconsiderar o papel da política em tudo o que está acontecendo, ela só não é suficiente para entender a complexidade da situação, sob pena de se adotar uma abordagem reducionista ou de se oferecer mais uma explicação de validade duvidosa. Por isso, pretende-se situar a emergência da corrupção e da ineficiência governamental num outro quadro de referência e percebê-las, juntamente com o momento político atual, como uma possível manifestação de uma falha sistêmica.
De modo geral, governos esposam um modelo mental que os orientam tanto na formulação de políticas públicas quanto no processo de tomada de decisão, e o esposam com tamanha fidelidade que chegam mesmo a dele tornarem-se reféns. Talvez porque somos herdeiros de uma tradição ocidental de pensamento, o modelo mental de governar mais comum entre nós é do tipo comando e controle que, no exercício do poder, se manifesta pela pulverização dos problemas e também das próprias instituições. Politicamente, este modelo mental não raramente se manifesta através do loteamento de cargos e funções. Apoiados neste modelo, os governos reduzem a inerente complexidade das situações-problema com as quais têm que lidar, dividindo-as em partes para supostamente melhor comandá-las e controlá-las. Este modelo mental deixa-se traduzir exemplarmente pela metáfora de máquina, cujas partes, assim se crê, podem ser independentemente comandadas e controladas na busca de um objetivo. Mas como se sabe, organizações costumam falhar em seu desempenho como um todo quando as partes são comandadas independentemente umas das outras. Portanto, não deixa de ser curioso assinalar que freqüentemente se usa a expressão “máquina estatal” exatamente para caracterizar não só sua inércia como também sua ineficiência. Governos, porém, têm que lidar com conjuntos de problemas interconectados, que não deixam se decompor em problemas mais simples. Por isso, o modelo comando e controle revela-se cada vez mais incapaz e inapropriado para gerir as situações de complexidade [segurança pública, saúde, educação, emprego, etc.] com as quais os governos se defrontam, e para dar conta dos desafios impostos pelos ambientes nos quais os governos operam.
Portanto, o que se vê mais uma vez agora como corrupção pode ser tomado como uma manifestação de uma grave falha sistêmica. Sistêmica, é importante destacar, não porque ela possa estar “irrigando todos os Poderes”, como aponta o Professor Giannotti (Mais!, 26/06/05) e, assim, disseminada por todo “o sistema” como muito tem-se ouvido dizer nestas últimas semanas, mas porque resulta sistemicamente da incapacidade de gerir as conseqüências indesejadas de um sistema de governo baseado na eficiência das partes e do seu controle, com nenhuma atenção ao ambiente do qual este sistema de governo se distingue. Assim é que mesmo políticas públicas consideradas boas, baseadas em valores fortes e práticas idôneas [Fome Zero, Primeiro Emprego, etc] são difíceis de serem executadas e acabam por apresentar resultados muito aquém dos esperados, promovendo grandes desapontamentos.
Além disso, o modelo comando e controle tende a tratar as pessoas de maneira instrumental, admitindo que seria possível controlar o comportamento das mesmas, subestimando a interconectividade entre pessoas e eventos e todas as suas implicações [a CPMI dos Correios revela exemplarmente o que pode acontecer quando esta interconectividade é subestimada].
Falhas sistêmicas somente podem ser superadas adotando-se um modelo mental distinto daquele que as fez surgir, caso contrário suas manifestações, como a corrupção, podem reforçar ainda mais o modelo mental que permitiu seu próprio aparecimento, uma vez que pode se imaginar que para acabar com a corrupção seria necessário ainda mais comando e controle. Por isso, é temeroso pensar que práticas isoladas (como uma reforma do sistema político, p.ex.) por si só seriam suficientes para superar falhas sistêmicas, como as que ocorrem na administração pública. Governar significa literalmente conduzir sistemas de atividade humana complexos, diversos, [em ambientes] essencialmente imprevisíveis, cuja capacidade de aprendizagem não pode ser negligenciada. Portanto, governos têm que aprender a pensar diferente para agir diferente, e precisam encontrar um novo quadro de referência para formular e a implementar políticas públicas, para definir o que pode ser alcançado e quais os meios necessários, o que permitirá, inclusive, adotar uma nova atitude em relação às falhas.
Falhas sistêmicas não resultam somente da má vontade de pessoas e de instituições, mas fundamentalmente da incapacidade de aprendizagem que decorre da adoção de um modelo inapropriado de gestão da complexidade dos sistemas de atividade humana e de seus ambientes. As falhas sistêmicas no Governo Lula precisam tornar-se oportunidades de aprendizagem que permitam a construção de futuros mais responsáveis. O modelo mental de comando e controle precisa dar lugar a um modelo mental baseado na aprendizagem. Mas para que isto seja possível, é preciso assumir uma nova atitude e enfrentar o desafio de mudar o modelo mental que orienta a forma de governar. Reformas políticas nem sempre são suficientes, e é preciso mudar não somente as práticas de governo, mas seus próprios objetivos. Ao invés de um sistema de governo é preciso uma forma sistêmica de governar. Mas há que se ter claro também que adotar uma perspectiva sistêmica de governar não é tarefa fácil, pois como já apontava C. West Chuchman, a política é um dos seus principais inimigos. O modelo mental de comando e controle e a sua metáfora de máquina precisam ser substituídos não porque vivemos em uma “época de mudança”, mas porque vivemos “uma mudança de época”.
Em tempo: a ocorrência de falhas sistêmicas em governos não é privilégio do Governo Lula, e pode ser verificada pelo mundo afora, como nos governos Bush, Blair e Sharon, para citar somente alguns deles.
Neste blog apresento e discuto assuntos relacionados à complexidade e ao pensamento e prática sistêmica, bem como outros assuntos da vida acadêmica e do meu interesse
Monday, June 11, 2007
Sunday, May 27, 2007
O Ironman e a suas fronteiras (sistêmicas)
Em sua coluna do dia 27 de maio de 2007 no Diário Catarinense, Cacau Menezes, escrevendo sobre o “Ironman” realizado em Florianópolis, afirma que “um dos pontos mais relevantes de uma prova de Ironman, que será disputado em Floripa neste final de semana, com a ajuda de São Pedro, é a completa ausência [grifos meus] de poluição na prática do esporte: pedalar, nadar e correr a pé, três dos mais saudáveis exercícios, não resultam em qualquer tipo de prejuízo ambiental”. Mas quais serão os limites de validade de uma afirmação como esta? Será que isso é mesmo assim, ou seja, não haveria mesmo poluição em uma prova de Ironman ou na prática de esporte? A natureza da resposta vai depender em grande medida de onde se está colocando a fronteira do sistema de interesse, neste caso a prova de Ironman ou a prática desportiva. Ainda que se aceite que se coloque a fronteira do sistema de interesse (somente) no(a) atleta que participa da prova de Ironman, ainda assim não se pode afirmar que não há poluição. Pense-se somente, por exemplo, nos copos ou embalagens plásticas contendo água e outras soluções que os(as) atletas consumirão durante a competição e que não só resultam de processos industriais poluidores, como ainda implicarão, para a sua correta destinação final, processos dissipadores de energia que geram muitas emissões. Se, porém, expandirmos as fronteiras do sistema de interesse um pouco mais e incluirmos toda a infra-estrutura montada para garantir o bom andamento da prova, facilmente perceberemos que não se pode afirmar que não há poluição. Pelo contrário! O nível de emissões e de recursos mobilizados necessariamente implicará (por simples razões termodinâmicas) em impacto sobre o meio físico (poluição). Imagine-se agora, neste exercício sistêmico, que queiramos expandir ainda mais as fronteiras do nosso sistema de interesse. Poderíamos incluir, por exemplo, o sistema viário e as rodovias nas quais acontecerão as provas de ciclismo e a maratona. Ora, é por demais sabido que estes "equipamentos" implicam em considerável impacto (prejuízo) ambiental para sua construção e manutenção. Pense-se também que, durante a prova, o trânsito ficará congestionado em alguns trechos, aumentando o consumo de combustível dos veículos que estiverem transitando nestes locais naqueles momentos, também contribuindo, assim, para um aumento das emissões de gases tóxicos e do efeito estufa. Além disso, é preciso ainda considerar toda a indústria necessária para a prática destas modalidades de esporte, como a que está envolvida na fabricação de bicicletas, roupas e acessórios esportivos. Se as fronteiras do sistema de interesse forem alocadas de maneira a comportar, ainda, os sistemas de transporte necessários para que os atletas se desloquem até o local da competição, o prejuízo ambiental é considerável, pense-se somente na poluição gerada pelo transporte aéreo, certamente usado por grande parte dos(as) atletas em suas viagens para Florianópolis.
Ainda que certas práticas desportivas, tomadas isoladamente e para atletas individuais possam, de fato, gerar pouca poluição, provas esportivas de grandes proporções, como a prova de Ironman, também são poluidoras, causando prejuízo ambiental. Em outras palavras, não se pode afirmar que mesmo uma prova esportiva não implique em prejuízo ambiental, e muito menos na sua magnitude (que certamente pode ser minimizada), sem que se especifique claramente as fronteiras do sistema de interesse. Como só pode fazer sentido falar em prejuízo ambiental considerando todo o planeta (por razões termodinâmicas que não serão abordadas aqui), não se pode afirmar, portanto, que mesmo as modalidades desportivas como as praticadas em uma etapa de Ironman não sejam poluidoras, ou que não resultem em prejuízo ambiental.
Ainda que certas práticas desportivas, tomadas isoladamente e para atletas individuais possam, de fato, gerar pouca poluição, provas esportivas de grandes proporções, como a prova de Ironman, também são poluidoras, causando prejuízo ambiental. Em outras palavras, não se pode afirmar que mesmo uma prova esportiva não implique em prejuízo ambiental, e muito menos na sua magnitude (que certamente pode ser minimizada), sem que se especifique claramente as fronteiras do sistema de interesse. Como só pode fazer sentido falar em prejuízo ambiental considerando todo o planeta (por razões termodinâmicas que não serão abordadas aqui), não se pode afirmar, portanto, que mesmo as modalidades desportivas como as praticadas em uma etapa de Ironman não sejam poluidoras, ou que não resultem em prejuízo ambiental.
III Congresso Brasileiro de Sistemas - Programação
Dia 24 de outubro de 2007 (quarta-feira)
17:00 – 18:30h:
Inscrições e retirada de material de participantes inscritos
18:30h:
Solenidade de abertura
19:00h:
Conferência de abertura:“Atuando em situações de complexidade: a necessidade de uma abordagem de aprendizagem sistêmica” (Taking action in situations of complexity: the need of a systems learning approach)
Conferencista: Prof. Dr. Peter Checkland - University of Lancaster – UK
20:30h: Coquetel
Dia 25 de outubro de 2007 (quinta-feira)
8:30h:
Conferência:“Formulando Pesquisa e Desenvolvimento rural: uma perspectiva sistêmica” (Designing rural Research & Development: a systems perspective)
Conferencista: Prof. Dr. Ray Ison - Open University – Department of Systems – UK
10:00h: Intervalo Café
10:15h: Sessões temáticas (apresentação de trabalhos)
12:15 – 14:00h: Almoço
14:00h: Sessões temáticas (apresentação de trabalhos)
16:00h: Intervalo café
16:30h
Painel “Pensamento e prática sistêmica no Brasil: repensando o exercício profissional?”
Painelistas: Prof. Dr. Acyr Seleme (UFPR), Prof. Dr. Dante Pinheiro Martinelli (FEA-USP – Ribeirão Preto) Profª. Maria José Esteves de Vasconcellos (UFMG)
18:00h
Encerramento
Em breve entrará no ar a home page do evento
17:00 – 18:30h:
Inscrições e retirada de material de participantes inscritos
18:30h:
Solenidade de abertura
19:00h:
Conferência de abertura:“Atuando em situações de complexidade: a necessidade de uma abordagem de aprendizagem sistêmica” (Taking action in situations of complexity: the need of a systems learning approach)
Conferencista: Prof. Dr. Peter Checkland - University of Lancaster – UK
20:30h: Coquetel
Dia 25 de outubro de 2007 (quinta-feira)
8:30h:
Conferência:“Formulando Pesquisa e Desenvolvimento rural: uma perspectiva sistêmica” (Designing rural Research & Development: a systems perspective)
Conferencista: Prof. Dr. Ray Ison - Open University – Department of Systems – UK
10:00h: Intervalo Café
10:15h: Sessões temáticas (apresentação de trabalhos)
12:15 – 14:00h: Almoço
14:00h: Sessões temáticas (apresentação de trabalhos)
16:00h: Intervalo café
16:30h
Painel “Pensamento e prática sistêmica no Brasil: repensando o exercício profissional?”
Painelistas: Prof. Dr. Acyr Seleme (UFPR), Prof. Dr. Dante Pinheiro Martinelli (FEA-USP – Ribeirão Preto) Profª. Maria José Esteves de Vasconcellos (UFMG)
18:00h
Encerramento
Em breve entrará no ar a home page do evento
Sunday, February 18, 2007
III Congresso Brasileiro de Sistemas
Agora é definitivo: o III Congresso Brasileiro de Sistemas será realizado em Florianópolis, nos dias 24 e 25 de outubro, no Hotel Maria do Mar (em breve, maiores informações).
Sunday, February 11, 2007
Making CONNECTIONS
A revista Nature iniciou (ou retomou) no último dia 25 de janeiro uma série de ensaios sob o título Connections. Pelo que se pode ler no editorial desta edição (na p. 340), a intenção é promover uma mudança de abordagem no desenvolvimento da ciência para o estudo interdisciplinar de sistemas complexos, dinâmicos. Apesar de se poder ler no editorial de que "a deeper insight requires a systems-level approach that seeks to understand interactions and make connections", o que por si só já é um bom começo, a visão que predominará será a visão da Nature... Isso fica bem claro já neste editorial em que se adota como sinônimos expressões como interdisciplinaridade, abordagem sistêmica e abordagem holística...É esperar, e ler para ver...
Monday, January 15, 2007
LOJA (EQUADOR): UMA CIDADE “SISTÊMICA”
Em matéria do caderno Mais! Da Folha de São Paulo, de 14 de janeiro de 2007, intitulada “Cidades Móveis”, sobre crescimento urbano e degradação do meio físico em cidades, é relatado o caso de Loja, uma cidade no Equador que, de um padrão de crescimento desordenado, tão comum em nosso Hemisfério, tornou-se conhecida como “cidade ecológica e saudável”, merecendo, inclusive, reconhecimento internacional através de vários prêmios. Para que Loja pudesse alcançar esta condição, “as medidas foram pontuais (...) mas ao mesmo tempo sistêmicas”. Ainda segundo a matéria, o êxito de Loja nos ensina que “ a visão sobre o todo e não apenas para cada uma das partes pode ser útil para qualquer grande conglomerado urbano do mundo”. A matéria cita ainda que para o diretor de cooperação do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), apenas um planejamento realmente (sic) sistêmico poderá evitar a imobilidade dos moradores das grandes cidades que hoje já gastam muito tempo de suas vidas nos congestionamentos. [comentar Lei de Ashby]. Não conheço pessoalmente a experiência de Loja, mas é um bom exemplo de como se pode lidar com situações de complexidade adotando pensamento sistêmico. Mas no caso do planejamento urbano de Florianópolis, toda essa discussão passa bem ao largo...
Thursday, January 04, 2007
Ano Novo?
Reféns que somos do tempo, aceitamos com maior ou menor resignação (ou desconhecimento) o calendário Gregoriano, e assim acabamos de celebrar o início de um novo ano ou, sendo um pouco mais pessimista, o fim de mais um ano. Mas anos não começam e terminam... anos apenas continuam! Feliz Ano Velho!
Friday, December 01, 2006
Crescimento econômico e pensamento único
Com a divulgação, ontem, pelo IBGE, da taxa de crescimento da economia brasileira no terceiro trimestre deste ano, foi possível observar, mais uma vez, a manifestação dogmática do pensamento único em Economia. Em outras palavras, um exercício explícito de medianidade feito por quem tem acesso privilegiado aos meios de comunicação, representando setores pouco progressistas da sociedade brasileira. É a persistência da crença que crescimento econômico seria sinônimo de desenvolvimento, de melhores condições de vida para a sociedade brasileira. É o que Costanza chama de "default western vision". Ora, na década de setenta o Brasil era o país que mais crescia no mundo e nem por isso a miséria de grande parcela de sua população foi diminuída. A China, tomada atualmente quase sempre como referência nesta discussão, cresce às custas de um desastroso impacto sobre o meio físico (do qual a hidrelétrica das Três Gargantas é o exemplo mais emblemático) e da persistente exclusão da absoluta maioria de sua população, que continua pobre e miserável a despeito dos vários anos de "grande" crescimento econômico. O pensamento único em Economia é, assim, analítico e linear, ou como já dizia Georgescu-Roegen, baseado nos princíos da mecânica clássica...(continua)
Tuesday, November 14, 2006
"O meio mais simples de enlouquecer é passar por um sistema" (Shaftesbury)
Li esta frase recentemente no início de um capítulo do livro Comte-Sponville, Conche, Ferry, Lipovetsky, Onfray, Rosset: é possível viver o que eles pensam?, de Sébastien Charles. Não deixa de ser curiosa, e muitas vezes oportuna, esta frase de Lord Shaftesbury, que viveu entre a segunda metade do século XVII e o início do século XVIII, e cuja filosofia continha uma abordagem marcadamente teleológica. Curiosa, sobretudo pelo uso da noção de sistema e porque filosoficamente pode-se dizer que o pensamento sistêmico tem fortes traços teleológicos. Evidentemente que do ponto de vista do pensamento sistêmico, não se pretende enlouquecer ninguém através de um sistema, mas o uso cotidiano (e contemporâneo) da palavra sistema para designar certas atividades humanas (ou o conjunto delas) e de como estas estão organizadas, torna a frase de Lord Shaftesbury bastante apropriada e atual. Só é preciso uns poucos instantes em nossas cidades, para que logo sejamos enlouquecidos pelo nosso "sistema" de transporte, pelo "sistema" de saúde e assim por diante (ou, atualmente no Brasil, pelo caos do sistema de controle de tráfego aéreo)! Mas é importante lembrar que se adotarmos a noção de sistema para organizarmos a maneira como nos relacionamos com o mundo, em sistemas de aprendizagem, sistema é a maneira mais segura para nos mantermos desesperadamente lúcidos na incerteza do viver no mundo atual...
Monday, November 13, 2006
Sistemas e Sistêmico
Ao participar, recentemente, da VI Reunião Sul-brasileira de Ciência do Solo, chamou-me a atenção, mais uma vez, da "facilidade" com a qual se usa termos como "sistemas" e "sistêmico", sem que se diga exatamente como estes termos estão sendo entendidos. Sem falar, é claro, de "holístico", quase sempre entendido como sinônimo de "sistêmico". Talvez isso decorra, pelo menos em parte, da polissemia da palavra "sistema" e do seu uso pouco rigoroso: emprega-se a mesma palavra sistema para designar coisas muito distintas que vão, por exemplo, do "sistema de transporte" ao "sistema financeiro". Ainda que estes sistemas tenham algo em comum (ambos têm um propósito), de uma perspectiva de segunda-ordem (ou "soft") a palavra "sistema" continua sendo usada para designar objetos, coisas do mundo. Já "sistêmico" remete muito mais a um adjetivo do que propriamente a uma epistemologia, a uma maneira de ver e de conhecer o mundo...
III Congresso Brasileiro de Sistemas em Florianópolis
Durante a realização do II Congresso Brasileiro de Sistemas em Ribeirão Preto (SP), nos dias 25 e 26 de outubro, ficou definido que Florianópolis sediará o próximo congresso, em 2007. Em data ainda a ser confirmada, o Congresso será realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas, da Universidade Federal de Santa Catarina.
Thursday, October 12, 2006
Segundo turno da eleição presidencial: Lula X Alckmin
De tudo que li nas últimas semanas e nos últimos dias sobre a disputa eleitoral para a presidência da república, o que mais gostei foi o que o Elio Gaspari escreveu na Folha de SP do último domingo (8 de outubro) que teria ouvido a respeito e que transcrevo aqui: "O Lula quer me vender um carro usado e o Alckmin quer vender um carro que não mostra"!
Monday, October 09, 2006
Somos todos "cachorros de palha"...
Depois de ter postergado a leitura de Cachorros de Palha de John Gray (Editora Record, 255p., 2006, R$ 36,90) algumas vezes, li de uma passada só pouco mais de 1/3 do livro. O argumento central (pelo menos até onde li) é um soco no estômago do humanismo e de suas crenças, desferido a partir tanto de evidências do pensamento filosófico quanto do pensamento científico. Para Gray, somos mesmo "ciganos à beira do universo" e não temos nenhuma razão para acreditar que "um outro mundo é possível", já que não existe o que possa ser chamado de "humanidade"... A leitura também rendeu alguns insights sobre a 'filosofia' de algumas tradições do pensamento sistêmico, particularmente o de quanto muitas delas parecem se situar entre o solipsismo e o idealismo...
Friday, September 22, 2006
De SISTEMAS e COMPLEXIDADE...
Etimologicamente, as palavras sistema e complexidade significam “colocar junto” e “o que está junto”, respectivamente. Talvez por isso, Edgar Morin afirmou que “sistema é uma palavra-raiz para a complexidade”, pois ainda que as duas palavras não tenham a mesma origem, já que a primeira se origina do grego e a segunda do latim, elas têm semelhanças em suas etimologias, como podemos perceber.
Por isso, "complexis" tem a intenção de lembrar tanto de complexidade quanto de sistema, de quanto estas palavras estão epistemicamente relacionadas, de sua complementaridade e da dualidade que formam.
Por isso, "complexis" tem a intenção de lembrar tanto de complexidade quanto de sistema, de quanto estas palavras estão epistemicamente relacionadas, de sua complementaridade e da dualidade que formam.
Novo livro de Peter Checkland

Para quem conhece os livros anteriores do Prof. Peter Checkland, este novo livro, lançado em julho deste ano, é de leitura muito mais agradável e fácil. Tem-se a impressão, inclusive, que o Prof. Checkland perdeu a paciência de explicar sua "Soft Systems Methodology" [SSM] e, talvez por isso, o sub-título do livro trata de explicar que se trata de um "relato breve definitivo" da SSM. O livro também releva a fina ironia inglesa, ao intitular o preâmbulo do livro como "um relato de 10 minutos da SSM para pessoas muito ocupadas". Para todos aqueles que já conhecem a metodologia, particularmente pela leitura do livro "Systems Thinking, Systems Practice", ou que a pretendem conhecer, o livro é de leitura imprescindível, particularmente o capítulo 5, que trata dos equívocos mais comuns no uso da metodologia e das habilidades necessárias para bem empregá-la.
Wednesday, September 20, 2006
II Congresso Brasileiro de Sistemas
Em 25 e 26 de outubro deste ano, a equipe do Prof. Dante Pinheiro Martinelli estará realizando o II Congresso Brasileiro de Sistemas, na FEA-RB/USP, em Ribeirão Preto, São Paulo. O Congresso é uma excelente oportunidade para todos aqueles que querem não só saber um pouco mais sobre pensamento e prática sistêmica, mas também melhor conhecer todas aquelas pessoas, grupos e organizações, de diversas áreas do conhecimento, que adotam e praticam pensamento sistêmico.
Tuesday, September 19, 2006
Fazendo um "rich picture"

Nunca a disciplina de "Pensamento Sistêmico e Prática Sistêmica" do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas da UFSC teve tantos estudantes matriculados como neste 2º trimestre de 2006: foram 26. Entre os muitos assuntos discutidos e práticas exercitadas ao longo dos últimos três meses, também constava a elaboração de um "desenho-rico", ou "rich picture", como o da foto acima, que é exemplar.
Tornando-me "Professor Associado": a mágica do número 36
Nos últimos dias estive às voltas com uma montanha de papel. Estou formalizando meu pedido de progressão funcional para a classe de Professor Associado... mais um remendo na já remendada carreira do magistério federal superior... Agora imagine-se quantos milhares de professores em todas as Instituições Federais de Ensino Superior por todo o Brasil estão fazendo a mesma coisa, investindo milhares de horas num processo burocrático absolutamente desnecessário, já que todos os pedidos serão aprovados...é só uma questão de tempo... e todo mundo sabe disso. O número 36 (número de pontos necessários na avaliação acadêmica) se encarregará de fazer a "mágica" da progressão funcional. Para além do que me parece ser uma irresponsabilidade com o dinheiro público, este processo confirma, mais uma vez, de maneira inequívoca, o que chamo de "cartorialização da universidade"... a Universidade Pública Brasileira está se transformando cada vez mais num grande cartório, lamentavelmente.
Friday, September 15, 2006
Aprendendo a persistir...
Depois de muito tempo, de muito querer iniciar um blog, finalmente começei... espero aprender a persistir, a persistir na postagem dos assuntos que me proponho a discutir...
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